Dia do Jornalista e o facão no Estadão

No calendário de homenagens, 7 de abril é o Dia dos Jornalistas. Mas a categoria, tão explorada e desunida, não teve muito que comemorar nesta terça-feira. Um dia antes, o Grupo Estado, que edita o decadente jornal Estadão, confirmou a dispensa de dezenas de profissionais. Não há ainda números oficiais do doloroso facão, mas há boatos de que as demissões podem vitimar até 120 funcionários – destes, 40 são jornalistas. O sindicato da categoria protestou contra as dispensas e marcou para esta semana uma assembleia de urgência com o objetivo de analisar quais os caminhos da reação. Segundo a entidade, o Grupo Estado está intransigente e não aceita sequer abrir o diálogo para negociar a situação dos dizimados.

“A direção do SJSP chama os jornalistas do Grupo Estado, demitidos e em atividades, para uma assembleia de urgência, nesta quarta-feira, visando a analisar a situação e buscar as formas de enfrentá-la. A nossa categoria não pode ver simplesmente as empresas despejarem em suas costas o peso das dificuldades pelas quais passam. Para fazer frente a esta situação, é preciso união e firmeza em defesa dos interesses coletivos. Venha à assembleia e fortaleça a nossa categoria”, afirma o comunicado do Sindicato dos Jornalistas. Em 2012, a entidade conseguiu forçar a negociação, via Justiça do Trabalho, quando o mesmo Grupo Estado fechou o Jornal da Tarde e demitiu todos os seus profissionais. Em 2013, houve outra refrega com a empresa da truculenta famiglia Mesquita.

Mas não são apenas os funcionários do Estadão que não terão o que festejar no Dia do Jornalista. Em decorrência de vários fatores – explosão da internet, queda de credibilidade da mídia partidarizada e incompetência gerencial –, outros veículos da velha imprensa estão em crise e jogam o seu ônus nas costas dos trabalhadores. Só neste ano já ocorreram demissões nos jornais O Estado de Minas (11), O Globo (30), Diário de Pernambuco (130), nas emissoras Record (20), TV Bahia (37) e em várias revistas. A revista IstoÉ Gente, da Editora Três, foi fechada – com a dispensa de 26 profissionais. O cenário é sombrio, mas ainda tem jornalista que adora chamar o patrão de companheiro – como costuma ironizar o veterano Mino Carta.

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