Sobre a série latino-americana da Netflix

Sabe aquela série que ao chegar ao fim você fica triste como se estivesse se despedindo de um amigo numa estação de trem? 

 

Club de Cuervos, a primeira produção latino-americana da Netflix, é assim.


A história gira em torno de um time de futebol mexicano, os Corvos do título. 

 

A magia e o horror, a tragédia e a comédia, a paixão e a repulsa – os autores captaram magistralmente tudo que cerca o mundo do futebol.

 

Mas é uma série que vai fascinar mesmo uma pessoa que não se interesse por futebol, tamanha a riqueza dos personagens e do drama em torno deles.

 

(Minha filha Camila, que não liga para futebol, não sossegou enquanto não chegou ao fim.)

 

O ponto de partida é a morte súbita do dono do time, um magnata de uma pequena cidade que decidiu investir em futebol.

 

Ele queria que o clube fosse o orgulho da cidade, Nueva Toledo. E conseguiu.

 

O Cuervos, do nada, vai subindo degraus e quando o fundador morre estava à beira de se tornar um dos grandes do México.

 

A disputa pela sucessão entre os dois filhos, um homem e uma mulher, é a chave da história.

 

Ela, mais velha, é mais centrada e mais preparada, mas tem contra si o fato de ser mulher no mundo masculino e machista do futebol.

 

Ele, o caçula, é um sonhador, idealista, ambicioso, só que completamente atrapalhado.

 

Chava, seu nome, quer fazer dos Cuervos o Real Madrid das Américas, mas tudo que ele consegue é levar o time para a beira do abismo.

 

Chava é o típico herdeiro, e não apenas do futebol: quer deixar sua própria marca, e fugir da sombra paterna. Neste sentido, os Cuervos é universal.

 

Me lembrei, por exemplo, de Roberto Civita perante as realizações de seu pai Victor na Abril.

 

Chava desestabiliza o dia a dia do clube ao fazer coisas que um cartola, em tese, não deveria fazer. Ele quer escalar o time, decidir os reforços etc.

 

Isso traria atrito em qualquer circunstância, e ainda mais quando o abelhudo é um garoto inexperiente no meio de pessoas com larga e bem sucedida trajetória.

 

A série se beneficia de imagens espetaculares de futebol, tanto dentro do campo como, principalmente, nas arquibancadas. Vi ali, nos torcedores, a paixão dos corintianos: seus berros, suas danças, sua devoção irracional.

 

Los Cuervos é uma comédia. Você ri muito. Mas tem também elementos de um drama. Você frequentemente se comove com as situações, principalmente com as desventuras de Chava.

 

A melhor definição para ele vem da estrela europeia que ele contratou: “Você é grande demais para esta cidade.”

 

O México está fazendo Los Cuervos enquanto nós fazemos Babilônia. É uma dura constatação.

 

Você chega ao final da série e pensa: “Quero mais.”

 

Que venha a segunda temporada.

 


Sobre o Autor

 

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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