Mudança decisiva no equilíbrio de poder

O mundo começa a notar a mudança profunda para a geopolítica que representou o discurso de Vladimir Putin na ONU, no dia 28 de setembro, quando o presidente russo declarou que a Rússia não pode mais tolerar a política externa perigosa, estúpida e falida de Washington, que desencadeou o caos que engoliu o Oriente Médio e agora começa a tomar a Europa. Dois dias depois, a Rússia assumiu o controle militar na Síria e deu início à destruição das forças do Estado islâmico.
 
Entre os assessores de Obama, talvez ainda haja alguns que não tenham sido totalmente cegados pela arrogância e possam compreender a mudança em curso. A agência russa de notícias Sputnik afirmou que alguns dos conselheiros do presidente americano especialistas em segurança aconselharam-no a retirar as forças militares americanas da Síria e desistir de derrubar Assad. Eles sugeriram uma cooperaração com a Rússia, a fim de parar o fluxo de refugiados que hoje sobrecarrega os países vassalos de Washington na Europa. A chegada em massa de pessoas indesejadas está fazendo os europeus se darem conta do alto preço do apoio à política externa americana. Os conselheiros mostraram a Obama que as estúpidas políticas dos neoconservadores estariam ameaçando o império de Washington na Europa.
 
Analistas como Mike Whitney e Stephen Lendman concluiram, corretamente, que Washington está de mãos atadas no que diz respeito à estretégia russa contra o Estado Islâmico. O plano dos neoconservadores de que a ONU decrete uma zona de exclusão aérea sobre a Síria, a fim de expulsar os russos, não passa de delírio. A ONU nunca aprovará tal resolução. Na realidade, os russos já estabeleceram uma zona de exclusão aérea de fato.
 
Putin, sem recorrer a nenhuma ameaça verbal ou xingamentos, mudou decisivamente o equilíbrio de poder, e o mundo sabe disso.
 
A resposta de Washington consiste em xingamentos, bravatas e mais mentiras, algumas das quais ecoadas por alguns dos cada vez mais trôpegos vassalos de Washington. O único resultado tem sido evidenciar a impotência de Washington.
 
Se Obama tiver alguma consciência, vai dispensar os idiotas neoconservadores que dilapidaram o poder de Washington, e se concentrar em, junto com a Europa, trabalhar ao lado da Rússia para destruir – ao invés de patrocinar – o terrorismo no Oriente Médio, por trás da crise dos refugiados na Europa.
 
Mas se Obama não puder admitir um erro, os Estados Unidos continuarão a perder credibilidade e prestígio em todo o mundo.
 
Paul Craig Roberts foi secretário-assistente do Tesouro americano e editor associado do Wall Street Journal. Roberts é autor dos livros "How the Economy Was Lost" e "How America Was Lost".
 
Tradução de Clarisse Meireles 

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