A revanche pela força do voto

A eleição de 2018 pode entrar para a história como aquela em que, consultado, o povo disse não à violência institucional que retirou Dilma Rousseff da presidência da república e não à aliança judicial-midiática que encarcerou Lula, para tirá-lo da disputa eleitoral.

 

É hora da revanche. Sem armas. Pelo voto.

 

Pelas pesquisas divulgadas, Fernando Haddad vai para o segundo turno contra Jair Bolsonaro ou, mantido o ritmo de crescimento, pode ganhar a eleição em turno único.

 

E esta não será a única vitória do campo democrático-progressista.

 

As vitórias começaram em São Paulo e Minas Gerais, mesmo antes do início da campanha eleitoral.

 

Marta Suplicy optou pela aposentadoria voluntária, por temer o vexame de uma aposentadoria compulsória em consequência da previsível derrotada para o ex-marido.

 

Foi o primeiro ato da revanche.

 

A saída de cena de Marta é um castigo justo para quem participou da conspiração que levou à queda de Dilma.

 

Em setembro de 2015, três meses antes da abertura do processo de impeachment, ela fez uma proposta indecente a Gabriel Chalita.

 

Na época, Chalita era filiado ao PMDB e tinha assumido a Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo.

 

Marta estava deixando o PT e entrando no PMDB, já com a promessa de que seria ela mesma candidata a prefeita, numa disputa com Haddad.

 

Esse movimento representava a quebra do acordo selado por Lula e Michel Temer, pelo apoio à reeleição de Haddad.

 

Marta ofereceu a Chalita o Ministério da Educação, num, à época, hipotético governo de Michel Temer (hipotético para a massa, mas ela já sabia que estava em curso o movimento para derrubar Dilma).

 

Em troca, Chalita deveria romper o acordo, deixar a prefeitura e desistir da candidatura a vice de Haddad.

 

Chalita não topou, o PMDB, juntamente com o PSDB, derrubou Dilma, como Marta avisou que aconteceria, e foi ela mesma candidata a prefeita.

 

O segundo ato da revanche foi a desistência de Aécio Neves de tentar a reeleição ao Senado.

 

Em seu lugar, deve assumir Dilma Rousseff, a terceira vitoria nas batalhas contra a guerra suja.

 

Em mais um ato de justiça, Aloysio Nunes Ferreira, conspirador de primeira hora, também está saindo de cena.

 

Em São Paulo, a derrota de João Doria se aproxima. Mesmo que vá para o segundo turno, não ganha de Paulo Skaff ou de Márcio França.

 

Há dois anos, quando ganhou de Haddad, Doria se comportava como o futuro presidente da república.

 

Trabalhou para isso, mas, montado na farsa do impeachment, não foi longe, e agora se aproxima o dia em que talvez Haddad subir a rampa do Palácio do Planalto.

 

A derrota de Doria em São Paulo também representará o fim de 24 anos de poder dos tucanos no Estado.

 

Em outros Estados, a derrota dos conspiradores está igualmente próxima. Só para citar um caso, o de Mendonça Filho, do DEM.

 

Mendoncinha não consegue sair do terceiro lugar nas pesquisas para o Senado em Pernambuco.

 

Um a um, todos estão caindo.

 

Mas nem todas as batalhas políticas estão vencidas.

 

Cristovam Buarque ainda ostenta um sorrisinho na face, porque, no seu caso, não está consumada a derrota.

 

Ele trava uma disputa com Leila do Vôlei, do PSB, Izalci, do PSDB, e Chico Leite, da Rede, pelas duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal.

 

Cristovam traiu a vontade daqueles que o colocaram no Congresso Nacional, com a aliança em torno de Aécio Neves para o apoio ao governo de Michel Temer.

 

Cristovam não merece, portanto, permanecer no Senado.

 

Lula percebeu o alcance desse movimento do eleitor e, concentrando-se em Haddad, divulgou do cárcere um bilhete:

 

“A eleição do Haddad vai ser a resposta do povo brasileiro ao golpe. Aos que sabotaram a democracia e tentaram impedir a soberania do voto popular”.

 

Não só a eleição de Haddad, mas a derrota dos que violentaram a democracia.

 

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