“Estamos anestesiados com tanta bizarrice e tolerando o intolerável, o absurdo” (Eduardo Moreira, economista).

 

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Uma onda de vergonha e indignação tomou conta das redes sociais desde o início da visita da trupe de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos.

 

São tantas as ofensas grosseiras e agressões ao povo brasileiro, à nossa história como país independente, que as pessoas já não sabem mais nem o que dizer. Nem eu.

 

A impressão que dá é de vivermos o fim dos tempos e nada mais nos resta a fazer. Acabou o brasil?

 

Fora das redes sociais, a vida segue como se nada estivesse acontecendo.

 

Parece que estamos mesmo todos anestesiados diante do acúmulo de barbaridades e sabujices sem fim cometidas nas últimas 48 horas.

 

Tudo mais perdeu sentido e importância, mas os comentaristas da TV tratam esse esculacho presidencial com a mais absoluta normalidade, até acham graça do que está acontecendo.

 

O pior de Jair Bolsonaro é que se trata de um homem de palavra: está fazendo tudo o que prometeu na campanha eleitoral. Ninguém pode reclamar.

 

Como ele mesmo afirmou logo após sua chegada a Washington, primeiro é necessário “desconstruir o Brasil para livrá-lo do comunismo”, e depois pensar em construir um outro país.

 

Que novo país será esse nem o próprio capitão sabe dizer, em seus delírios megalomaníacos de napoleão de hospício, que pensa ser igual ao seu idolatrado êmulo Donald Trump.

 

Primeiro, ele resolveu entregar o Brasil de porteira fechada aos fazendeiros americanos. Depois, ele decide o que vai fazer.

 

No momento em que escrevo, ainda nem começou a “histórica” reunião de Jair com Donald na Casa Branca, e já entregamos todos os anéis, sem ganhar nada em troca, para nos tornarmos uma colonia baba-ovo dos Estados Unidos.

 

A rendição do capitão reformado e seus generais de pijama é absoluta, sem disfarces, tramada à luz do dia e dos holofotes, e consumada em documentos oficiais.

 

Em 1964, como ficamos sabendo 30 anos depois, o golpe militar foi tramado com o apoio da CIA e dos mesmos aliados que no ano passado prenderam Lula para voltarem ao poder com Bolsonaro.

 

Agora, a agência americana de espionagem recebe a “visita de cortesia”, fora da agenda oficial, de um alegre presidente brasileiro, acompanhado do seu sinistro ministro da Justiça.

 

Enquanto isso, em Brasília, o filho conhecido como 02, popular “Carlucho”, toma o lugar do general vice no Palácio do Planalto e anuncia no Twitter que está tocando a agenda presidencial, a mando do pai.

 

E isso é noticiado com a mesma naturalidade de um treino do Flamengo ou do nascimento de um gorila azul no zoológico de Brasília.

 

Vida que segue.

 

 

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