A heroica greve dos jornalistas de Alagoas

Em um cenário de precarização do trabalho e de crescente assédio moral, a vitoriosa greve dos jornalistas de Alagoas merece muito festejo. Após nove dias de paralisação, que contou com a adesão de cerca de 90% da categoria, o Tribunal Regional do Trabalho rejeitou nesta quarta-feira (4) a abjeta proposta patronal de corte de 40% no piso salarial dos profissionais. Além disso, o TRT-AL aprovou o reajuste de 3% nos salários, o não desconto dos dias parados e a estabilidade no emprego de 90 dias para os grevistas. 

A assembleia que aprovou a sentença do tribunal e o retorno ao trabalho foi carregada de emoção. “A gente avalia a greve como positiva, porque derrubamos a ideia da redução do salário. Não tivemos a reposição da inflação totalmente, conseguimos 3%, mas a Justiça também determinou o pagamento dos dias paralisados. Então, foi uma vitória... Fomos às rua e deu orgulho de ver toda a categoria com faixas nas caminhadas no centro e nos bairros, mostrando para a sociedade que nosso trabalho é importante e nossa pauta também”, festeja Izaias Barbosa, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (SindJornal). 

O sindicalista também destaca o expressivo apoio da população alagoana e “de outras categorias e de outros sindicatos, porque todos tinham certeza de que isso poderia ter um efeito dominó. Se passasse a redução do salário do jornalista, haveria redução em outras categorias”. De fato, a solidariedade foi um dos pontos altos da greve. Até a jogadora Marta, da seleção brasileira de futebol, fez questão de postar um vídeo em apoio. “Estamos juntos nesta”, afirmou a craque, que nasceu em Dois Riachos, no interior de Alagoas. 

O comentarista esportivo José Trajano, que hoje produz um programa na TVT, também se manifestou nas redes sociais. “Sou solidário e estamos juntos com os jornalistas de Alagoas, que estão lutando por seus direitos”. Xico Sá, escritor e articulista da GloboNews, saudou no Twitter. “Viva os bravos colegas das Alagoas, viva Graciliano Ramos”. Já o Diretório Acadêmico Freitas Neto da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal (Ufal) aprovou em assembleia, de forma inédita, uma paralisação em apoio à greve. 

Conforme destaca Érica Aragão, em matéria postada no site da CUT, a mobilização da categoria foi intensa e corajosa. Nos nove dias de greve, ocorreram piquetes nas portas das principais emissoras de televisão – na TV Ponta Verde, afiliada ao SBT – “uma das três grandes empresas de comunicação no estado e responsável pela proposta de redução salarial” –, na TV Gazeta, afiliada da Rede Globo, e na TV Pajuçara, afiliada à Record. “Ao longo do dia, também foram programadas ações de diálogo com a população”. 

Os grevistas ainda realizaram vigília em frente ao TRT durante a quarta-feira. “Independentemente de qualquer coisa, a categoria está mobilizada na porta do tribunal para deixar claro que a luta não é apenas pelo salário e sim contra a precarização da profissão, contra a redução da qualidade do conteúdo exibido à população e contra a afronta à democracia”, explica um jornalista na TV Gazeta que não quis se identificar.

 

 

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