O Datafolha do vale-tudo

07/07/2019

A prévia da pesquisa Datafolha a ser publicada amanhã pelo jornal paulista tem um resumo: tanto quanto a maioria dos juízes e promotores, a classe média bolsonarista acha que vale qualquer coisa para manter Lula preso e fora do jogo político.

 

Mesmo registrando uma ampla maioria de juízos sobre serem “inadequadas” (58%) as relações entre Sérgio Moro e os promotores da Força Tarefa da Lava Jato e de 59% acharem “graves” as suas decisões e pensarem que “devem ser revistas”, Moro ainda conservaria, segundo a pesquisa, um capital de credibilidade, com metade (52%) de avaliações de que sua atuação é ótima ou boa.

 

Ainda que menor do que há 3 meses, quando era de 59%, é um índice expressivo ainda, diante dos acontecimentos.

 

Em parte, isso se explica pelo baixo grau de informação da população – apesar de já ter se passado um mês, quase, desde a publicação das primeiras revelações do The Intercept – sobre o escândalo das mensagens que o mostravam direcionando processos.

 

Apenas 63% dos 2.086 entrevistados pelo Datafolha dizem estar informado sobre o caso que está sendo chamado de Vaza Jato, assim mesmo 23% deles “bem” , 32% “mais ou menos” e 8%, “mal informados”. Claro que reflexo da postura da Globo, até agora tratando do caso com o “suposto do possível do alegadamente atribuído às ilegalmente hackeadas conversas”.

 

Revela-se, nas pesquisas, o comportamento sintonizado com as pesquisas de opinião sobre Jair Bolsonaro, de quem Moro é, cada vez mais, um apêndice: o corte das opiniões pró-Moro segue o mesmo das “pró-Mito”: os homens, os mais ricos, os do Sul, os mais velhos são a maioria.

 

Ao contrário: mais pobres, mais jovens e o Nordeste os condenam, maciçamente, na faixa dos dois terços dos entrevistados. Pelo que e possível perceber, mesmo sem o detalhamento completo, o mesmo se dá em relação à ideia de que a prisão de que pudesse ser “justa” a prisão de Lula.

 

Como tenho sempre dito aqui, ao tratar de pesquisas, também desta vez é preciso dizer que o “núcleo duro” do fanatismo insano permanece relativamente intacto e é preciso, para alcançá-lo, remover a camada que a ele aderiu em razão da campanha de ódio midiático.

 

Este núcleo não está protegido apenas por sua própria loucura fundamentalista, ele se nutre, também, pela incompreensão do Brasil como nação, como coletividade.

 

 

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