A lenta agonia de Sérgio Moro

Completa-se hoje um mês desde que o The Intercept trouxe à tona os diálogos que mostraram que a Lava jato foi uma operação na qual um juiz, ilegalmente, assumiu o comando de um grupo de procuradores para misturar combate à corrupção com disputa política e, ainda, um projeto de poder autoritário para o Judiciário.

 

Claro que em um país plenamente democrático e com instituições judiciais preservadas, o que apareceu até agora já seria motivo para punição aos envolvidos nestes abusos e distorções do poder legal que o Estado lhes deu e de anulação dos processos contaminados por isso.

 

A realidade, porém, é que a Justiça e a mídia, faz tempo, fazem com que nosso país não seja assim.

 

Se a Justiça passou a ser movida pela política, é pela política que se deve analisar se, o quanto e quando os acontecimentos políticos podem fazer com que ela volte ao seu leito.

 

E não há dúvida de que isso passa pela demolição, com fatos, o ícone desta construção disforme: Sérgio Moro.

 

Hoje, às 15 horas, vou falar sobre isso na TVT e, assim que possível, coloco aqui o comentário.

 

Mas adianto o essencial: o método de revelação dos fatos usado por Gleen Greenwald é absolutamente diferente daquele a que os jornalistas brasileiros se acostumaram a usar: revelar o principal e, após, ir enriquecendo o caso com seus detalhes.

 

O que estamos assistindo é muito mais semelhante ao timing da Lava Jato, embora com provas acumuladas em lugar de produzidas de acordo com as suas conveniências.

 

O The Intercept dividiu seu material com a Folha e a Veja, como forma possível de combater as alegações de que tudo seria falso usada pelos protagonistas do escândalo, transformada em campanha pela rede de fake news e robôs que serve de sustentáculo ao oficialismo.

 

Dividiu mas, há pouco risco em afirmar, guardou para si os pedaços de filé: os diálogos mais explícitos, os áudios, as situações diante das quais nem o maior cara de pau será capaz de dizer que se tratam de diálogos normais, embora sejam capazes de ver “normalidade” até em interferência em processos de outros países e burlas a acordos judiciais para revelar negócios da Odebrecht na Venezuela.

 

Está se aproximando a hora em que eles serão servidos à opinião pública.

 

 

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