Dia do Professor? Mais essa agora?

É irônico comemorar o Dia do/a Professor/a em meio a uma administração de boçais que elegeu justamente os profissionais da Educação como inimigos figadais da nacionalidade, da família, dos nossos valores cristãos, dos bons costumes etc. Em tempos de elegia à ignorância, o mote é investir contra os que iluminam as trevas.

 

O ataque à inteligência não se dá apenas nas escolas de todos os graus. Ou grais, como deve falar o troglodita que comanda a pasta (ir)responsável pela área. A que ele almeja batizar de Ministério do Ensino. Sim, ensino, como se fala de cachorro ensinado, treinado, adestrado e obediente. Dá a patinha, aluno, finja-se de morto, estudante, enquanto você não morre de verdade.

 

Nazistas queimavam livros e destruíam obras de arte carentes de uma estética tida como edificante. A escola terá de ser sem partido, zebras gordas ficam de fora e doutrinação aqui não, Opinião você vai dar nos autos do processo, talquei?

 

Não se trata apenas dos salários, mas dos salafrários enquistados nos órgãos competentes (?). Denuncie seu mestre, fotografe o monitor e grave o palestrante. Falar de Brasil é marxismo cultural, colégio militar com gorila na direção é que é bom. E vocês ainda querem bolsas e financiamentos para coisas tão inuteis quanto filosofia e pensamento crítico? Pesquisas? Bobagem, compramos pronto, igual que nem esse iPhone aqui, que trouxe de Miami. Vamos financiar áreas técnicas, como engenharia, assim que terminarmos de entregar a Embraer, vender a Petrobrás e chamarmos empreiteiras estadunidenses que trarão profissionais – aí sim! – competentes.

 

Péssimas condições das unidades educacionais, falta de segurança, equipamentos que não funcionam, limpeza inexistente? Foda-se, para usar a fineza da moda.

 

E tem mais. Ensino bom é privado, pago, com renovação constante de professores. Os bons ficam e os maus vão para a rua.

 

Eiei! Falo em ir para rua cada um cada um, com um pé na bunda, não em grupo, não juntos, não em bando! Sem essa de concentração, que porra é essa? E esses cartazes, essa avenida tomada pela malta gritando! Vão trabalhar! O quê? Não tem emprego? Isso não é com a gente. Heleno! Helenooo! Moro, ô Moroooo! Atende, porra. Chama a Peeme, a Força Nacional.

 

Professor tem é de aprender. Nem que seje na porrada! Ô Morôôô, atende, caralho… Você não aprendeu?

 

 

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