Uma chance para parar o monstro

Ninguém pode achar, a esta altura, que assistimos apenas à um espetáculo dantesco de descontrole político e emocional do clã Bolsonaro.

 

Sim, é, mas está longe de ser somente isso.

 

Bolsonaro está evidentemente provocando um confronto e não se sabe que cartas tem na mão para sustentar este jogo.

 

Conta com a imobilidade dos dois outros poderes da República, de um lado pelo silêncio de Dias Toffoli, de outro pela ambição de Rodrigo Maia em se cacifar como aquele que, em meio à barafunda, está “tocando” as questões econômicas de interesse do empresariado?

 

Espera que a desmobilização dos movimentos sociais e dos partidos de oposição, ausentes das ruas, evitará reações?

 

Avalia que, embora não se disponham a moverem-se como vanguarda a seu favor, as Forças Armadas não tenham como agir, por falta de uma liderança legalista, contra uma ofensiva de seus alucinados “minions”?

 

Tudo parece fora de sua era, mas os tempos que vivemos têm muito mais sinais de que estamos em era diferente daquela em que democracia e humanismo teriam se afirmado como senso comum.

 

Não é preciso fechar o Congresso e o Judiciário para implantar uma ditadura de fato, basta que se complete o processo, já bem adiantado, de sua submissão à barulhenta “opinião pública” de seu exército virtual e dos pequenos “comandos” reais que aparecem por grupos enfurecidos ou nos arroubos filiais.

 

É o famoso “ganhar no grito”, com o rugido do velho leão. Ou alguém pensava que a Rede Globo recuaria com a ameaça, na “live furiosa” de cassarem-lhe a concessão?

 

Afinal, o próprio Bolsonaro figurou a situação em seu tosco vídeo: ele vai enfrentar todos e conta com a chegada providencial do reforço do “leão conservador patriota”. Os militares?

 

De nada nos valerá esperar que o desastre inevitável no campo econômico-social encarregue-se de enfraquecer e imobilizar o governo em sua escalada autoritário.

 

Em sociedades politicamente desorganizadas, com instituições e imprensa que tudo toleram ou fazem contra o campo popular – pois não quiseram e fizeram de um tosco primevo o Presidente? – a crise é combustível da direita.

 

Mas não é Bolsonaro quem, à toda evidência, quer o confronto?

 

Sim, é, mas se fugirmos dele, conseguirá reagrupar e restabelecer seu comando sobre as forças auxiliares que estão dispersas, confusas e conflitadas.

 

Dificilmente haverá outro momento, como agora, em que as forças políticas conservadoras estejam tão confusas e apatetadas diante do monstro que criaram e achavam que iam transformar em seu dócil agente.

 

Era para ser o bobo da corte, mas virou rei e quer ser o monarca absoluto, para espanto dos barões.

 

Bolsonaro deixou de ser apenas um arranjo tosco e talvez não haja outra chance de pará-lo.

 

 

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