EUA orquestram ataque ao BRICs

A invasão da Embaixada da Venezuela, em Brasília, é o recado mais explícito dos Estados Unidos aos representantes externos do BRICS, reunidos em Brasília a partir de hoje. 

 

Os EUA estão dizendo alto e bom som que quem manda no quintal, ou seja na América Latina, são eles, e segundo as suas regras, que incluem terrorismo e golpes. 

 

O apoio de Bolsonaro e seu séquito de delinquentes dão contornos de sabotagem ao BRICS, tornando ainda mais grave a situação na abertura do encontro. 

 

Com as impressões digitais da CIA, a invasão contou com o apoio do Itamaraty, segundo confessou a advogada María Teresa Belandria Expósito, indicada por Guaidó como embaixadora do Brasil e reconhecida pelo presidente Jair Bolsonaro. 

 

De acordo com ela, "a ação "foi comunicada imediatamente ao Ministério das Relações Exteriores" (do Brasil).  Por outro lado, não é mais para se estranhar a urgência, a violência e a rapidez com que o golpe na Bolivia foi efetivado nos últimos dias. 

 

Ao que parece, o plano era impor o golpe de Estado na Bolívia antes da reunião do BRICS, como forma de responder às derrotas sofridas na Argentina e no Chile. A essas ações, some-se ainda a invasão a Embaixada da Argentina do Chile, também clara provocação ao pacífico movimento de protesto naquele país.     

 

O resultado dessas ações orquestradas certamente terão repercussão ao longo desses dois dias, nos quais dificilmente os debates ficarão limitados aos negócios. Além de relações comerciais, Rússia, China, Índia e África do Sul têm relações políticas com a Venezuela e podem demonstrar sua insatisfação. 

 

Os Estados Unidos, por seu turno, pretendem afirmar sua aliança com o governo Bolsonaro, inimigo da América Latina e parceiro nas patifarias na região.  A última reunião do BRICS, em 2014, em Fortaleza, com a criação do banco do bloco, foi o estopim para detonar o golpe de Estado no Brasil. 

 

É inaceitável para o Império um bloco, com um mercado de bilhões de consumidores negociando em suas próprias moedas, ou pior, em uma moeda comum. O mundo está mergulhado na "guerra do dólar", com o imperialismo ameaçado na hegemonia de sua moeda.  O dilema do Brasil está posto na mesa da geopolítica mundial e, pelo visto, o governo Bolsonaro já escolheu seu lado na disputa, alinhando-se aos perdedores. 

 

Aos Estados Unidos interessa um região improdutiva, desindustrializada e ameaçada cotidianamente por milícias treinadas pela CIA. Aos brasileiros e povos latinos cabe resistir a essa recolonização selvagem, disposição que cubanos (desde sempre!), venezuelanos, equatorianos, chilenos, bolivianos e argentinos já parecem demonstrar.

 

 

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