A vida da Néia era mais barata que uma placa ou um cartaz

O tal Aderbal Ramos de Castro, que matou friamente a moradora de rua Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, no centro de Niterói é, certamente, adepto da tese bolsonariana de que todos devem andar armados para sua autodefesa.

 

Não fosse, não carregaria um “trezoitão” na cinta.

 

O tal Aderbal Ramos de Castro, que matou friamente a moradora de rua Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, no centro de Niterói é, certamente, alguém que habita a periferia da polícia – segurança, ex-PM, alcaguete, miliciano, etc.

 

Não fosse, não carregaria um “trezoitão” na cinta, arriscando-se a ser preso em qualquer abordagem policial. Confiava que alguém, “quebraria essa”.

 

O tal Aderbal Ramos de Castro, que matou friamente a moradora de rua Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, ainda que sendo assim, nem precisaria atirar para defender-se, pois a mulher se encolhe e faz menção de correr quando vê o “trezoitão” sair-lhe da cinta.

 

Mas o tal Aderbal a matou, friamente, porque Zilda, a quem chamam pelo apelido de Néia, o mesmo de minha mãe, não é uma vida que valha nada, para ele.

 

É só uma “negrinha, bandidinha”, que vive na rua, incomodando os passantes, homens de bem como ele, pedindo o real que não tem e que nem a vida dela nem vale.

 

O tal Aderbal, quem sabe, vá virar deputado como outro tal, o Coronel Tadeu ou tal e qual o tal e qual, o bombadão Cabo Daniel.

 

“Aderbal, federal, não promete, faz o mal”

 

Afinal, não quebra placas, como este, nem cartazes, como aquele.

 

Não fica no “blá-blá-blá”, vai logo ao “pá, pá, pá” do “trezoitão” de sua cinta.

 

E a Néia vai para o chão, agonizar como uma placa quebrada ou um cartaz arrancado.

 

É barato, ela não vale nem um real, bem menos que a bala que lhe deu o tal Aderbal.

 

 

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