2020, o ano do Fora Bolsonaro

Dois mil e dezenove foi um ano de muitos ataques dos golpistas contra a população, expressos num sem número de medidas aprovadas e implementadas pelos governos golpistas e direitistas na América latina. No Brasil o governo Bolsonaro aprovou ataques desde a “reforma” (assalto) da previdência ao pacote “anticrime”.

 

Com todas essas medidas, fruto da decadência do regime capitalista a nível mundial, abriu-se no continente uma etapa de grandes mobilizações contra a direita, do Equador ao Chile, passando por diversos outros países latinos. Manifestações com conteúdo político abertamente revolucionário, de luta pelo poder, contra o imperialismo, no Brasil essa luta passa inevitavelmente pela palavra de ordem de fora Bolsonaro, a questão política central em 2020.

 

Isso ocorre porque as condições materiais, econômicas, dos países latino-americanos, deterioraram-se rapidamente nos últimos anos, sobretudo após a crise capitalista de 2008. O número de miseráveis aumentou abissalmente, colocando em xeque o controle da burguesia sobre a massa de trabalhadores do continente. Este é o dado objetivo, o combustível para as grandes mobilizações de massa contra a classe dominante.

 

Deterioração da situação política

 

Prova disto é que a própria burguesia, através da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), alertou para o barril de pólvora que se tornou a América latina. Em seu relatório, a Cepal destaca o fato da América Latina ser a região mais desigual do mundo e o Brasil o país em que a desigualdade mais aumentou nos últimos anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 6,5% da população são miseráveis, pessoas com renda diária inferior a US$ 1,9 dólar, o que corresponde a 13,5 milhões de pessoas.

 

De acordo com a Cepal, em 2015 30,1% das pessoas viviam abaixo da linha da pobreza na América Latina. O que significava 174 milhões de pessoas, das quais 10,7% delas vivam em situação de extrema pobreza, 52 milhões de pessoas! A situação não melhorou de lá para cá, a previsão para este ano é catastrófica: 191 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, das quais 72 milhões delas em situação de extrema pobreza. O detalhe é que em 2018 eram 185 milhões de pessoas nessas condições, o que mostra como a situação vem se agravando.

 

Para conter essa onda de pobreza cada vez maior, a direita segue ameaçando o povo nas declarações de Bolsonaro contra as liberdades democráticas ainda existentes, pelo menos formalmente, no país. Com as ameaças de retorno do AI-5; o aumento brutal de penas contidas no pacote anticrime do ministro golpista Sérgio Moro; os elogios de Bolsonaro à ditadura, à tortura e aos torturadores. Todos esses elementos apontam para a ameaça iminente da extrema direita fascista contra o país, os trabalhadores, a população e suas organizações de luta na cidade e no campo.

 

As condições objetivas empurram os trabalhadores para a luta

 

Se por um lado, nas condições econômicas atuais, a única forma da burguesia impor seu programa de pilhagem do povo é através de golpes de Estado e do fechamento dos regimes. Por outro lado, a única forma do proletariado barrar os ataques da burguesia e derrotá-la é através de uma mobilização revolucionária, ou seja, que tenha como base reivindicações políticas, que contemplem dentro de si todas as reivindicações dos explorados na luta pelo poder.

 

É hora de aproveitar as condições favoráveis à mobilização contra o governo. É preciso esquecer as ilusões eleitorais e enfrentar a extrema-direita, que está se desenvolvendo. Levantar a palavra de ordem mais popular do país: o Fora Bolsonaro!

 

Entre os trabalhadores e a juventude, como visto em todos os grandes eventos culturais e protestos ocorridos em 2019 – do carnaval ao ato de 74 de Lula em Curitiba – o fora Bolsonaro catalisa todo o repúdio aos golpistas. Por isso, para dar vazão às condições econômicas, é preciso organizar uma campanha com atos de rua que tenham essa questão como eixo central.

 

Em toda a América latina, o levante popular das massas expressou essa tendência. Fora Piñera no Chile, fora Lênin Moreno no Equador, fora Macri na Argentina, fora Duque na Colômbia, fora Áñez na Bolívia. Palavras de ordem que permitem agrupar atrás de si todo o movimento dos trabalhadores e as reivindicações populares. O que coloca no centro da luta a necessidade de derrubar esses governos, ou seja, lutar pelo poder. Portanto, 2020 no Brasil é o ano do Fora Bolsonaro!

 

 

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